A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana (CCILM) realizou, no dia 27 de maio, o segundo Webinar integrado no projeto Portugal Connect, desta vez sobre Oportunidades de Internacionalização no México para o setor dos Moldes, que contou com 5 oradores convidados e cerca de 50 participantes.
João Faustino, Presidente da Associação Nacional da Indústria de Moldes em Portugal (CEFAMOL) começou por apresentar o posicionamento da indústria. «Portugal encontra-se entre os principais fabricantes de moldes a nível mundial, nomeadamente, na área da injeção de plásticos (8º no mundo, 3º na Europa), exportando cerca de 85% da produção total.», afirmou.
Os três principais destinos das exportações portuguesas do setor são a Espanha, a Alemanha e a França, mantendo-se a preponderância pelo mercado europeu. Estes valores representam 80% do total de exportações dos 10 últimos anos.
Quanto aos principais clientes da indústria de moldes, João Faustino denotou que a indústria automóvel tem mantido a sua importância no desenvolvimento do setor, representando 71% da produção nacional de moldes em 2020. Para o presidente da CEFAMOL «a indústria automóvel é muito importante devido ao conjunto alargado de capacidades que existem no setor em Portugal. Somos fornecedores de clientes com manufatura no México, logo existe um grande investimento produtivo das empresas nacionais instaladas no México».
O apoio bancário aos processos de internacionalização foi o tema de Luís Castro e Almeida, CEO do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) em Portugal. O CEO explicou que «o BBVA está presente em 30 países, sendo possível fornecer um conhecimento muito grande das necessidades dos mercados e das empresas que exportam e comercializam a nível internacional».
Em cada um dos países onde o BBVA tem escritórios existe uma equipa de global coordinators com a função de ajudar no processo de exportação e internacionalização, para «retirar as pedras do caminho, ajudar as empresas a crescer, a tornarem-se maiores do que são», afirma o responsável do banco em Portugal.
Luis Rossano, CEO da Blue Quak Group no México – Especialistas na fabricação de moldes e injeção de plástico com operações na América e na Europa, falou sobre as oportunidades existentes para a indústria, que considerou «avassaladoras», pois Portugal tem uma grande técnica, qualidade e compromisso no setor dos moldes e também graças ao tratado entre EUA e a União Europeia e à renegociação do tratado dos EUA com o Canadá e o México.
No entanto, embora a qualidade das máquinas e dos produtos fabricados pelo setor seja notável, existe um défice de mão de obra, de técnicos formados e especializados que ajudem a corresponder à procura. «Mesmo que haja muitas máquinas é preciso haver técnicos, há falta de técnicos», considerou o responsável.
Eduardo Medrano, presidente da Asociación Mexicana de Manufactura de Moldes y Troqueles (AMMMT) no México falou do ponto de vista do mercado mexicano, considerando que o tratado de livre-comercio tem muitas vantagens e está a posicionar o México como principal fornecedor. O maior problema referido foi a «falta de níveis de desenvolvimento. O México fabrica peças pequenas e médias, mas tem muitas limitações no fabrico das maiores e mais complexas», afirmou.
José Carlos Gomes, CEO da GLN em Portugal, partilhou o processo de internacionalização da empresa referindo as vantagens e os maiores desafios que encontraram ao entrar no mercado mexicano. A principal vantagem é a estabilidade que o setor apresenta, uma vez que tem vindo a crescer em grandes quantidades nos últimos anos, muito mais no México do que na Europa.
«O mercado mexicano é muito grande, cerca de 3x superior à capacidade de produção de Portugal, o que juntamente com a escassez de mão de obra, torna-se no principal desafio», afirmou José Carlos Gomes.
A estratégia principal é a formação técnica local, com investimento na formação e experiência dos colaboradores para aumentar o poder de fabrico e a criação de um ecossistema, em que as empresas poderão ganhar poder geográfico ao se entreajudarem e fazerem parcerias.
«Os recursos humanos e as associações entre empresas são de extrema importância e necessárias para alcançar o ecossistema. A chave do negócio vem de formar técnicos qualificados, que é o maior desafio para a indústria».
Este foi o segundo de quatro Webinars integrados no projeto Portugal Connect. O terceiro já tem data marcada para o dia 29 de Junho e será sobre as Oportunidades de Internacionalização no México para o setor das Máquinas e Ferramentas para a Indústria.